Carnaval: utopia. Até para os políticos
Carnaval inspira liberdade. Não se ouve a palavra relacionamento, fidelidade ou confiança. Tudo pode. Na hora que quiser, como quiser, onde quiser etc. A palavra solteiro nunca foi tão bem usada. Quer você queira ou não.
Gonçalves Dias não seria tão brilhante. Freud diria psicótico. Mas é um ideal que a maioria adota, usa e abusa. Eu sei que você já abusou. Vai dizer que não tem um borrão branco e forte na sua memória quando você tenta lembrar dos Fevereiros passados? Tem também os que ficam entre o abuso e o exagero. Depois entre o exagero e o patético e assim vai…
Mas não tem problema, afinal, é Carnaval, pô! No Carnaval pode. Talvez esse seja o problema. Aliás, o problema é levar essa utopia para fora das avenidas. Para os políticos é Carnaval também, viu? E eles devem adorar esse tipo de liberdade. Aproveitam que você está se divertindo para se divertirem também.
Pense comigo: aquela maldita lei que não vai ajudar a maioria e que eles estão segurando há meses. Eles lembram do Carnaval. Esperam até o Carnaval para aprovar a lei. A mídia fica sabendo, mas não divulga. Porque não dará ibope. Porque você não se importará, eu não me importarei e nem os mais fortes críticos pensarão nela.
É perfeito. Sério. Mas não se importe. Não no Carnaval. Porque no Carnaval você pode tudo. E você não perderia tempo com política com todo esse poder, perderia?